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Tandam!
Ilustração de um tribunal medieval: um porquinho de cartola e colete bordô protesta no banco dos réus diante de um juiz de peruca sentado de costas; um cavaleiro de armadura observa à direita, sob vitrais com feixes de luz.

EP. 01OddFrame · Tandam!

O Tribunal dos Porquinhos

Um porquinho no banco dos réus. Um tribunal cheio de solenidade.

Assista ao episódio

Um porquinho no banco dos réus. Um tribunal cheio de solenidade. E uma história que parece impossível — até descobrirmos que animais realmente foram levados à justiça. Neste episódio de OddFrame, humor e animação abrem caminho para explorar os limites entre culpa, punição e aquilo que uma sociedade considera justo.

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Quando os animais respondiam à justiça

Em partes da Europa medieval, animais podiam ser responsabilizados por danos e mortes e submetidos a procedimentos judiciais. Registros franceses dos séculos XIV e XV documentam condenações de animais domésticos, incluindo porcos, cavalos e bovinos. Entre as evidências estão documentos administrativos que registram os pagamentos e os materiais necessários às execuções. Esses vestígios mostram como autoridades enquadravam ações de animais em categorias humanas de crime e punição.

Um dos casos mais conhecidos é o de uma porca executada em Falaise, na Normandia, em 1386, após causar a morte de uma criança. O caso ganhou sucessivas versões ao longo do tempo, e alguns detalhes célebres precisam ser tratados com cautela.

Olhar para esses episódios apenas como uma coleção de absurdos deixa escapar perguntas interessantes. Como uma comunidade atribuía responsabilidade? O que uma punição pública comunicava? Quem podia ser colocado na posição de culpado? As interpretações históricas variam, e não existe uma explicação única para todos os processos contra animais.

Comentário editorial do filme

OddFrame transforma esse estranhamento em uma pergunta para o espectador: o que acontece quando uma sociedade aplica suas regras a alguém que não pode compreendê-las?

Liberdades criativas

O que é registro histórico e o que é escolha de adaptação.

Da porquinha ao porquinho

O episódio troca a porca do caso histórico por um porquinho mal-humorado, de gestos e expressões exagerados. A direção editorial buscou reduzir a sensação de crueldade e abrir espaço para gags: a indignação do personagem permite trabalhar o humor por meio de sua personalidade. É uma escolha de adaptação, sem pretensão de reproduzir a identidade do animal histórico.

Uma roupa que também conta uma história

No curta, o figurino acompanha o personagem durante o julgamento e ajuda a construir sua presença cômica. Relatos posteriores sobre o caso de Falaise descrevem roupas humanas na execução, mas esse detalhe não consta do documento original, segundo pesquisa recente. Nossa versão assume essa imagem como liberdade visual e a antecipa para o tribunal; não pretende reconstituir um traje documentado do julgamento.

Ateliê

Estudos de personagem, cenas e caminhos explorados em torno do episódio. Toque ou clique em uma imagem para ver em tamanho maior.

O protagonista e seu universo

Personagens e outras cenas

Caminhos que não seguimos

Antes dos humanos, outro porquinho

Nas primeiras explorações, o “mundo real” da metalinguagem também seria habitado por um porquinho antropomorfizado. Os estudos mostram um personagem de óculos, roupa doméstica e um ambiente de televisão e luz noturna. Posteriormente, a produção optou por personagens humanos nessa camada do curta. As imagens preservam uma possibilidade abandonada e ajudam a mostrar como o universo do episódio foi tomando forma.

Crédito das imagens: TanDam! Studios

Fontes e leituras relacionadas

Leituras sobre o tema. Não afirmamos que todas tenham sido usadas na criação original do filme.